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Autárquicas 2017: equívocos culturais que permanecem na política partidária nacional

Terça-feira, 19.09.17

 

 

 

Depois de ver o país três meses a arder em incêndios criminosos, as tais "ocorrências" de que nos falam na central da protecção civil e que acontecem anualmente, ou seja, um problema de segurança estatisticamente previsível, vem o PS afirmar, arrogantemente, que quer ganhar as Autárquicas.

Esta afirmação revela, pelo menos, dois equívocos culturais que iremos analisar a seguir.

 

 

Equívocos culturais que permanecem na política partidária nacional:

 

1º - As autárquicas reflectem os resultados partidários nacionais.

Este paralelismo foi-se diluindo no tempo e hoje já não é fiável. Reparem que há candidatos que antes tinham sido eleitos por um partido e agora são apoiados por outro. A referência aqui é o trabalho desenvolvido na câmara e não o partido que o apoia. O mesmo para candidatos antes eleitos por um partido que agora se apresentam de forma independente. E ainda para candidatos independentes que se apresentam apoiados por um ou mais partidos.

Os projectos são avaliados. E é por isso que em breve veremos novos rostos, mais jovens e dinâmicos, a gerir autarquias. Como referi no Twitter: "As autárquicas já não servem como referência da implantação partidária nacional. Cada concelho é um caso específico. ... Há bons projectos: desde o CDS à CDU, passando pelo PSD, BE, independentes e PAN. ..."

 

2º - As campanhas autárquicas seguem a lógica das campanhas legislativas.

Estando mais próximo das pessoas, o poder local tem uma lógica própria. É mais fácil influenciar o eleitorado. É por isso que em ano de eleições, vemos obras em tudo o que é estradas municipais, ruas, passeios, jardins e... as inevitáveis rotundas.

Nota-se, no entanto, uma mudança cultural em curso: as pessoas estão mais informadas sobre as decisões que afectam a sua vida diária e o rendimento familiar. E já não se ficam por aqui: já se preocupam com a qualidade de vida da comunidade, a protecção ambiental, uma economia mais equilibrada e sustentável, uma gestão política mais transparente e participada. As pessoas formam associações, reunem-se, debatem. São comunidades vivas a proteger os seus melhores recursos.  

Implicações políticas: se até aqui as campanhas eram clubistas e os grupos partidários se guerreavam mutuamente, esta estratégia já não tem impacto nos eleitores. Se até aqui se faziam promessas em discursos, slogans e outdoors sorridentes, hoje esta modalidade está a dar os últimos dividendos políticos.

 

 

Sendo assim, o PS está completamente equivocado, e não só duplamente equivocado (os equívocos referidos), também por um terceiro equívoco: a gestão política local não é distante e opaca como a nacional, apoia-se na vida da comunidade. Embora valorize a economia e finanças saudáveis (os trunfos actuais do governo), valoriza, acima de tudo, a segurança e a confiança. A segurança e a confiança são fundamentais para uma comunidade e baseiam-se na responsabilidade.

Foi na segurança, na confiança e na responsabilidade, que o PS falhou. Não valorizou os cidadãos o suficiente para assumir a responsabilidade pelas graves falhas na sua protecção (incêndios) e na segurança nacional (Tancos). Não valorizou os cidadãos o suficiente para demitir a ministra e a sua equipa. Não valorizou os cidadãos o suficiente para querer investigar até às últimas consequências o que se passou em Pedrógão, e depois nos concelhos afectados diariamente pela destruição criminosa dos incêndios. Não valorizou os cidadãos o suficiente para lhes dizer a verdade sobre a origem criminosa dos incêndios. E não foi só não lhes dizer a verdade, foi mentir-lhes com a versão oficial "negligência". Não valorizou os cidadãos e o país o suficiente para investigar o que se passou em Tancos. Isto somado revela a natureza descontraída do PS relativamente ao essencial e a sua obsessão pela imagem. Esta é a sua marca registada, a sua cultura de base.

 

Pode acontecer que os resultados das Autárquicas favoreçam o PS e o PSD, afinal são os partidos em que os eleitores se habituaram a votar com mais frequência. Não me parece é que isto reflicta uma tendência nacional.

  

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:24

Duas culturas empresariais: a predadora e a personalizada

Domingo, 23.07.17

 

  

Há empresas que aparecem no mercado de forma agressiva, com um dinamismo obsessivo e predador, que invadem o espaço (produtos e serviços) de outras, sem cerimónia, sem respeito pelos outros agentes, pelos colaboradores e pelos consumidores.

Ávidas de lucro rápido, organizam toda a sua máquina nesse sentido. A comunicação com o consumidor reduz-se ao convite: entra, olha à vontade, só nos interessa o teu dinheiro.

Com os sites, é a mesma coisa. São construídos para adquirir mais um produto e aderir a mais um serviço. A relação é impessoal, os contactos são para call centers, não se cria qualquer relação de confiança.

 

Há outra cultura empresarial, com origens muito antigas no mercado tradicional. Esta cultura baseia-se na afirmação da própria marca, na autenticidade e na qualidade. Existe um compromisso e responsabilidade e cria-se uma relação de confiança com o consumidor.

A comunicação com o potencial consumidor é dar-lhe a informação que ele pretende.

Os sites revelam a missão da marca, toda a informação essencial sobre produtos e serviços, os colaboradores e a sua função, é tudo personalizado.

 

Estas culturas tão diversas revelam-se na sua estratégia publicitária:

- na predadora: estamos prestes a iniciar a leitura de um artigo e surge-lhe um carro último modelo à frente dos olhos!, um obstáculo. Procuramos o botão de fechar o painel, mas há painéis que só fecham depois de alguns segundos, obrigando-nos a olhar para o carro. E se por um azar está uma pessoa a deslizar o artigo e carrega, por engano, ao lado da página, mais uma publicidade de um produto ou serviço que não lhe interessa. Outro obstáculo.

Há também a publicidade inteligente, baseada nas pesquisas efectuadas. Aparece mais discretamente, como um "olha para mim queres saber mais?" É mais aceitável, mas perturbador. É como uma impertinência de um motor de busca a intrometer-se na nossa vida. Uma pequena amostra do que nos pode ainda aparecer à frente dos olhos com a anunciada inteligência artificial;

- na personalizada: as pessoas estão em primeiro lugar, o consumidor e o colaborador. Isto irá reflectir-se na apresentação do produto e do serviço. Tudo faz parte da própria marca. A publicidade aproxima-se mais da informação detalhada do que de um anúncio. Os sites são construídos de forma a facilitar a informação pretendida, os locais, os contactos, tudo arrumado e especificado.

 

Estas duas culturas são visíveis mesmo em startups tecnológicas de produtos de última geração. A sofisticação científica ou tecnológica não esconde a cultura de base.

Vemo-las também no desenho do futuro próximo, a predadora fala-nos de automação aplicada a tudo, de robots a substituir pessoas no trabalho (e o pior é quando constroem robots em forma humana, o que revela um certo infantilismo que é pior do que simples imaturidade); a personalizada fala-nos de comunicação e proximidade, de colaboração, de relação personalizada, de comunidades, de confiança.

Quanto à dimensão, a predadora não tem limites, engole tudo à volta até monopolizar o mercado; a personalizada procura o equilíbrio e um crescimento sustentável.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:52

A responsabilidade de um "novo rumo" tem de se iniciar com um compromisso com os cidadãos e sem equívocos políticos e culturais

Terça-feira, 21.05.13

 

A possibilidade de se abrir uma janela e de se refrescar o ar deste país entregue a grupos com agendas já identificadas e percebidas e que não servem os interesses do país e dos seus cidadãos, seria um bom sinal.

Mas seja qual for a janela e o novo ar, é bom esclarecer desde o princípio que a equipa que for escolhida (e só pode ser pelos cidadãos) estabeleça um compromisso claro com os cidadãos.

 

Já o disse aqui, nunca acreditei na revolução dos cravos, mas absorvi desde criança, e de forma profunda, uma cultura democrática. Esta é a base. Não é direita-esquerda ou falsas dicotomias. É o respeito por si próprio e pelos outros, a empatia como a base da interacção. Também tem a ver com a cultura cristã profundamente enraízada na minha família, e não apenas na palavra, mas na sua acção diária. Mas tem muito mais a ver com a minha percepção desde o início que o convívio social saudável só se pode conceber numa base de igualdade na dignidade e na liberdade, na tolerância, no respeito mútuo, no valor intrínseco e não negociável de cada vida humana. A prioridade é a vida, mas a vida com dignidade. É isso que nos distingue da barbárie.

 

Por todos os livros que li na primavera marcelista e pelo clima de rebeldia que se sentia no ar e que pensava nos poderia levar, de forma gradual, a uma democracia moderna e civilizada (nos valores que referi acima), nunca acreditei na revolução dos cravos. A minha primavera era outra, só acredito em soluções inteligentes, cultas, graduais.

Em adolescente li Marx e Engels (resumidos, porque não aprecio calhamaços), e outros livros biográficos sobre visionários, loucos e psicopatas como Estaline, Mao Tsetung, Hitler e Himmler, portanto para mim eram todos do mesmo saco cultural e mental: os ditadores, venham de onde vierem, têm a mesma base amoral da lógica do poder e da morte, da destruição bárbara, são incultos e doentes mentais.

Agora imaginem a minha surpresa quando no liceu, pelos meus 16, 17 anos, deparei com o ambiente deprimente em que se defendiam personagens como Lenine, Estaline ou Mao Tsetung... Por ali planei nesse ano de 75 sentindo-me uma inadaptada, escapando à gritaria das RGAs e um dia até a uma invasão da Copcon a rodear o liceu de G3 na mão. Felizmente 76 trouxe o sossego dos Cívicos e voltei às origens por um ano. Quando regressei para a faculdade já os ânimos estavam mais calmos e só me esperava o desgosto de Camarate, em 80, o fim da esperança democrática.

 

A partir daí, a possibilidade de uma cultura verdadeiramente democrática, de uma democracia de qualidade (acesso universal a uma educação de qualidade; acesso a uma informação de qualidade e comunicação fiável e transparente; partilha de responsabilidade e participação cívica; justiça de qualidade; eficiência dos serviços; liberdade de concorrência; todos os equilíbrios que mantêm a democracia), foram sendo substituídos por uma cultura de clubismo partidário, de má utilização dos recursos públicos, de novo-riquismo cultural, do sucesso fácil, dos grupos favorecidos, de interesses ocultos, e de tudo o que já se diagnosticou até à exaustão e que permanece intocável.

 

Nunca votei PS. Votei AD de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Depois de Camarate, o PSD morreu para mim. O CDS foi o recurso para não votar em branco. Só voltei a estar perto de votar PSD com a política de verdade de Manuela Ferreira Leite, e depois talvez votasse no libertar o futuro de Paulo Rangel mas ganhou o Passos, e apostei n' este é o momento do CDS/PP.

 

Mal sabia eu, como já aqui disse, que este é o momento seria pior do que um banho de água fria, foi cair num buraco de água gelada num glaciar: como podia ter sido tão ingénua? Só porque falavam na agricultura e na supervisão bancária?

Mas não se atiraram agressivamente aos mais fracos da população, aos RSI? Com um discurso moralista à Estado Novo? De uma mesquinhez tacanha esquecendo que os feirantes e os pequenos negociantes de rua praticam uma economia paralela de subsistência perseguida pela ASAE dos moderanaços socialistas da altura, que os arrastaram para a subsidiodependência? A economia paralela de subsistência não é muito mais digna do que viver de subsídios estatais?

A verdadeira fuga ao fisco, a dos grandes grupos profissionais e empresariais está aí? Não está! Mas dessa não nos falaram.

Os sinais de um elitismo cultural, de desejo de pertença a uma classe de privilegiados, de um moralismo saudosista e tacanho, já estavam todos lá e eu não os consegui identificar.

 

Foi apenas quando assisti a esta cooperação de dois anos em que mantiveram um silêncio cúmplice e oportuno com um núcleo de gestão política (PM-ministro das finanças) que iniciou uma guerra de destruição maciça à economia, ao trabalho e à dignidade de vida dos cidadãos, que finalmente percebi e identifiquei a sua verdadeira cultura de base. Só alguém com uma cultura de base muito pouco democrática, para não dizer mesmo anti-democrática, poderia ter pactuado com este plano de desvalorização do trabalho e perseguição aos mais vulneráveis, mantendo intocáveis os grandes interesses e as excepções aos cortes. Fiquei sem partido em que votar, portanto. 

 

Qualquer cumplicidade estratégica com o núcleo PM-ministro das finanças será recordada na história do país.

Considerar-se agora que o CDS, depois de dois anos de cumplicidade com esta tragédia económica e social, pode agora surgir como um possível partido de coligação com o PS, por exemplo, é um atentado à nossa consciência cívica.

Vão primeiro aprender o que é a democracia de qualidade, e já agora como TPC:

a) tentar viver com o RSI ou o SMN;

b) sobreviver 6 meses na China rural, na Índia urbana, no Bangladesh fabril, para ver que modelo de economia competitiva nos estavam a preparar;

c) passar uns dias sem pequeno-almoço e ir para a escola ou ir à farmácia e ter de escolher entre que medicamentos levar para casa.

 

Quanto ao actual "novo rumo" do PS, terá de fazer um compromisso com os cidadãos e não configurar apenas uma forma airosa do sistema (o regime, as actuais elites no poder) se reorganizar novamente para tudo ficar na mesma paz podre

Como já aqui disse, terão de convencer os potenciais eleitores que podem confiar neles, que não serão traídos de novo.

Ainda estão por esclarecer as responsabilidades da gestão do anterior governo PS na situação financeira-limite a que se chegou há 2 anos.

Ainda está por perceber o papel dos mercados financeiros, do BCE (Constâncio foi promovido após não ter supervisionado nada), da banca (BPN), dos grandes grupos económicos, da CE, do PR, do PSD (Passos já andava a preparar a sua carreira no poder durante a liderança de Manuela Ferreira Leite), etc.

E finalmente ainda está por provar até que ponto a cultura de base deste "novo rumo" é um caminho de reabilitação para a tal democracia de qualidade.

Também vão precisar de apoios supra-nacionais, europeus e outros. Mas deverão manter os cidadãos devidamente informados do que está em causa, de forma frontal e com coragem, sem evasivas nem teatros. 

 

Quanto a possíveis coligações:

É melhor um governo com uma agenda limpa, clara e transparente, que vai gerindo o país com acordos parlamentares e negociações com representantes dos trabalhadores, empresários, industriais, etc. e com associações e movimentos da sociedade civil, do que se deixar enredar em jogos políticos que só debilitam a confiança dos cidadãos nos políticosRespeitar a inteligência de quem se representa é fundamental.

 

 

 

Para finalizar este post com uma amostra da inteligência distante, indiferente e metálica do núcleo que nos governou estes dois anos, de forma a melhor se perceber como se pode destruir com powerpoints e excell, trago aqui uma cena de um filme que já tinha colocado na Farmácia Central. Através desta cena vão perceber melhor como funciona a cabeça do protótipo tecnocrata, seja o ministro das finanças seja um elemento da troika, do FMI, da CE. A distância emocional e monocórdica são próprias de uma inteligência artificial só comparável a um robô:

 

 

 

Nota de esclarecimento em 2 de Junho de 2014: Este ano vi tanta coisa que era inevitável uma mudança na minha perspectiva do grande plano. O mesmo é dizer que não fica incólume a tanto atropelo à justiça, à equidade, ao equilíbrio de poderes, a uma cultura democrática, ao simples e saudável bom senso. O impacto de tudo a que assisti com este governo-troika foi tal que posso mesmo dizer que fiquei vacinada de forma vitalícia contra o centro direita. Ou se tem uma cultura democrática ou não se tem, ou se têm valores cristãos ou não se têm. O centro direita ou direita ao centro é um tremendo equívoco cultural e político.

Foi também a observar as personagens actualmente no poder que fiquei esclarecida relativamente à minha visão idílica da primavera marcelista: sim, havia católicos progressistas e intelectuais com uma visão mais aberta do mundo, mas o sistema estava blindado como este está actualmente e não se iria abrir a uma democracia como cheguei a idealizar.

Dá-me a sensação que terei ainda de introduzir muitas notas de esclarecimento em diversos posts sobre assuntos-chave. Não quero contribuir para mais equívocos culturais, mesmo que se trate apenas de uma análise individual. 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:25

Aproximação partidos políticos - sociedade civil: alguns equívocos culturais

Sexta-feira, 26.04.13

 

O dia de ontem ainda nos traria mais uma surpresa e igualmente no programa Política Mesmo da tvi 24: uma entrevista de Paulo de Magalhães a uma das figuras conhecidas na segunda fase do anterior governo PS: João Tiago Silveira. Lembram-se dele? Um rosto redondo de menino de coro que ficava sempre a sorrir por detrás dos protagonistas? Aquele que serviu de nova imagem do anterior governo PS e que vinha apresentar as novas medidas? 

Pois bem, parece que o entrevistado entregou uma carta ao Presidente do partido, juntamente com um grupo de outros militantes, com uma proposta de aproximação do partido à sociedade civil, para fazer pontes e abrir o partido à participação e colaboração dos cidadãos-eleitores.

Parece que esta proposta ainda não foi aceite para apresentar neste Congresso e compreende-se porquê:

 

Esta não é uma proposta credível de abertura à participação e colaboração da sociedade civil, porque se preocupa essencialmente com a abertura à participação dos cidadãos em eleições de candidatos à liderança do partido, assim como à possibilidade de votar em propostas e de apresentar petições em congressos.

Surge-nos assim de novo a marca registada do marketing político do anterior governo PS, o tal das propostas fracturantes (o entrevistado vai desfiando o seu rosário), a marca de uma cultura populista, que vive à volta da figura do líder, da imagem, da fama, do herói.

Esta marca registada revela-se própria de uma sociedade de espectáculo, da trash culture, do circo político: telemóveis em riste, marque o nº 70721 se quer o candidato A, marque o nº 70722 se quer o candidato B, tal como os Ídolos.

Esta proposta é muito à frente no séc. XXI, muitos filmes de ficção científica já anteciparam este circo global, a confusão geral onde ninguém se responsabiliza por nada nem ninguém pode ser responsabilizado. É eleito o mais popular, mesmo que pelas piores razões.

Onde está o espaço da reflexão?, da avaliação do perfil dos candidatos?, dos valores defendidos pelo partido?, do compromisso?, da verdade?, da qualidade e viabilidade das propostas?

 

O entrevistado só acertou na constatação da realidade actual: há realmente um fosso crescente entre os políticos e o eleitorado, entre o sistema partidário e a sociedade civil. Só que se esqueceu de dizer que a responsabilidade desse afastamento é dos partidos políticos, da sua actuação, do comportamento dos seus responsáveis e restantes elementos, da degradação a que chegaram, ética, moral e cívica, da governação política incompetente e da gestão ruinosa.

De facto, vemos a decadência dos partidos, como estão descredibilizados, desactualizados e obsoletos.

A frescura, a vitalidade e a criatividade estão do lado da sociedade civil.

 

Mas voltemos à proposta:

Se o entrevistado lesse uns livros de história política ficaria esclarecido e veria que essa aproximação à sociedade civil depende do partido arrumar a casa primeiro, como passo a explicar:

Partido = partido, subdividido em subgrupos, incoerências internas, indefinição do projecto, competição pelos lugares;

Arrumar a casa =  debater e reflectir, avaliar os erros cometidos, assumir as suas responsabilidades, mudar de estratégia. (Arrumar a casa não é varrer para debaixo do tapete como foi feito naqueles 4 meses providenciais entre o abandono de Guterres e o catapultar do ex-PM-actual-comentador-político.)

 

Mas o que é que os cidadãos vêem acontecer? Passar uma esponja sobre o passado e virar todas as munições contra os adversários, os outros partidos e as instituições do sistema.

 

 

Uma aproximação partidos políticos - sociedade civil implica uma alteração cultural profunda dos políticos, do seu comportamento, da lei eleitoral, da representatividade dos deputados na AR, da responsabilização dos gestores políticos por erros cometidos (competência), pela gestão danosa de dinheiros públicos (justiça). A confiança depende da verdade, da informação correcta e actualizada, da participação cívica diária.

 

Portanto, antes de se abrir à participação e colaboração da sociedade civil, o partido A ou B deve primeiro definir-se:

- a sua identidade, a sua cultura, os seus valores e princípios, o seu centro, a sua bússula, o que permanece intacto apesar das mudanças conjunturais;

- essa identidade (o essencial) deve ser coerente e consistente, e percebida, aceite e interiorizada pelos gestores políticos e pelas suas bases;

- essa identidade (o essencial) é a carta de apresentação à sociedade civil, no logotipo, no site, no discurso e na intervenção pública;

- o comportamento dos seus elementos deve respeitar essa identidade essencial (coerência e consistência) e ser um exemplo cívico (credibilidade).

 

A seguir vem o projecto conjuntural, a estratégia, que deve ser adequada à realidade, além de inteligente, viável e criativa.

A estratégia deve considerar prioridades bem definidas e o teste prévio da eficácia da intervenção proposta (o que implica ter bases de sustentação, apoios internacionais, fazer o trabalho de casa).

Na interacção com os outros partidos e com todos os responsáveis políticos, sociais, financeiros e económicos, deve revelar abertura e receptividade à negociação sempre que existir uma proposta concreta. E fazer a promoção das suas propostas, com entusiasmo e convicção, resistindo a opiniões e comentários críticos e/ou provocadores. O que interessa são as propostas, viabilizá-las. É isso que ficará registado na história, os resultados, o que funciona.

 

Ganhar a confiança dos cidadãos é um processo que exige muito trabalho diário e muita paciência, ir juntando pontos de credibilização até começar a ser percebido pela sociedade civil como grupo e como equipa consistente e credível.

Estes pontos ou créditos de confiança implicam uma informação correcta da realidade (verdade) e um comportamento coerente e consequente (o exemplo cívico).

 

Como vimos, são os partidos que terão primeiro de fazer o trabalho de casa. Quando forem percebidos como credíveis, a aproximação da sociedade civil, a participação cívica e a colaboração cívica, far-se-á naturalmente.

 

Hoje, com a comunicação facilitada e quase universalizada, os cidadãos já podem dar ideias e propor mudanças nos sites dos diversos partidos. É só enviar um e-mail ou fazer um comentário. Mas terá de haver espaço para um debate sério, não para o ruído da confusão geral e populista.

 

 

 

Nota: Gostava de, um dia destes, analisar os movimentos cívicos e como se estão a tornar cada vez mais activos e eficazes. 

Alguns já tentaram constituir-se como partidos políticos, entrando no sistema partidário e eleitoral. Resultados? Vantagens?

Para já, enquanto se mantiverem os equívocos culturais actuais, a lei eleitoral, o nº excessivo de deputados, a sua distância relativamente a quem os elege (representatividade), vejo como pouco vantajosa essa formalização.

 

 

Nota de esclarecimento a 2 de Junho de 2014: Muita coisa se passou neste país neste último ano. A nossa democracia foi-se fragilizando com o governo-troika e, com a opção presidencial por um apoio incondicional ao governo-troika, hoje já não se pode falar de um equilíbrio de poderes porque está tudo desequilibrado, e sempre que o tribunal constitucional dá pareceres é logo chantageado, e isto em cima de cidadãos mssacrados com impostos e cortes, despedimentos, ausência de perspectivas futuras.

Já não se ouve falar de um provedor de justiça, a figura desapareceu?, nem da procuradoria-geral da República, nem propriamente de Justiça. Talvez por isso os rsultados das eleições europeias tenham vindo abanar o status quo, de tal modo que surgiram dois novos factos políticos: o MPT com Marinho Pinto capitalizou votos de descontentes e desanimados, e no PS deu-se a invasão socrática, apoiada pelos media e com a expectativa tácita dos que defendem um consenso nacional, um bloco central digamos, o balão de oxigénio do sistema.

É neste novo contexto da existência de um desequilíbrio de poderes e da tentativa do sistema se proteger de uma nova configuração da AR nas próximas legislativas, blindando-se num bloco central, que procurei analisar de novo a proposta de primárias abertas para escolher o candidato a líder do partido, apresentado por Tiago Silveira e que, neste post, considerei populista, a não ser que se procedesse a uma revisão da actual lei eleitoral. Pois bem, o assalto ao poder do Presidente da Câmara de Lisboa baseia-se na pretensão de conseguir mais votos para o PS do que os obtidos por Seguro nas eleições europeias. Não se trata de debater um projecto que faça frente ao novo rumo com o qual parecia estar de acordo, não, é apenas uma questão de popularidade. Sendo assim, a única forma de provar que sim, está melhor colocado para obter mais votos, é em primárias abertas.

Esta invasão socrática acabou por despertar de novo, numa parte do PS, esta aproximação aos cidadãos. É esta a parte positiva, a meu ver, a possibilidade de liderarem uma revisão eleitoral que torne a AR mais representativa. E a proposta foi mais longe: a redução a 180 deputados. Se esta linha regeneradora do PS for a vencedora nas primárias, o PS será o partido tradicional a revelar mais vitalidade e criatividade.

Claro que a democracia incomoda muita gente, a possibilidade inovadora dos cidadãos participarem na vida colectiva, isto é, uma democracia mais representativa e participativa é uma amaeaça para as elites no poder há décadas, o rotativismo garantido, o controle da máquina estatal e da administração pública, das empresas públicas e público-privadas, as fundações, as decisões opacas, a alienação de recursos estratégicos, as promessas à troika. Prevêem-se portanto muitas reacções, com o apoio dos media, sobretudo nos canais televisivos, onde estão os políticos comentadores estrategicamente colocados para a propaganda semanal.

Este episódio no PS exemplifica o estado actual da nossa democracia. Podemos mesmo dizer que se trata de uma autêntica "luta de classes", uma jornalista que entrevistou Seguro até insistia que do lado do seu adversário estavam muitos "notáveis" A resposta foi certeira: a democracia é fantástica, uma pessoa um voto.  

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:03

A publicidade como comunicação: os fios, os laços, os afectos

Domingo, 10.03.13

 

Sou alérgica a campanhas publicitárias agressivas e invasivas que utilizam as fragilidades humanas como a necessidade de agradar, o receio da rejeição, a crítica boçal, o riso larval, a ausência de respeito pelo outro. No fundo, a pressão para adquirir o produto porque todos os que contam o adquirem.

Também a sedução pelo lado mais fácil e preguiçoso não me atrai: um produto, um serviço ou uma ideia valem por si próprios ou não valem o preço da sua aquisição. Só assim se percebem certos embrulhos que escondem a falta de qualidade. A política entra neste pacote.

 

As novas formas de publicitar um produto, um serviço ou uma ideia, podem configurar e incorporar uma mensagem. São novas formas de comunicação.

As que mais me fascinam são precisamente as que apelam à inteligência emocional, seja pela criação de ligações entre as pessoas, seja pelo sentido de humor, seja pelo absurdo. Também as que informam sobre o produto ou serviço, a sua utilidade e potencialidades. 

Vou procurar seleccionar aqui as melhores campanhas publicitárias que vi recentemente. A primeira é esta, da Milaneza que, em colaboração com a RFM, desafiou os seus ouvintes com o mote: "Pode Milaneza ser mais do que massa?" O resultado é muito interessante, como podem verificar:

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:39

A saúde: uma coisa essencial

Quarta-feira, 14.12.11

 

Desde sempre tive esta noção muito clara: a saúde é essencial da nossa vida, a nossa primeira prioridade. Hoje percebo um pouco melhor: a saúde está relacionada com todas as áreas da nossa vida. Tudo o que pensamos e fazemos  reflecte-se na nossa saúde, no nosso equilíbrio. Assim como aquilo que falha nesse equilíbrio se vai reflectir na nossa vida.


Respeito imenso as pessoas que se revelam disponíveis para partilhar com outras experiências de doença grave, por exemplo, para lhes dar informações preciosas sobre a sua experiência que podem ser úteis para outras, ou para simplesmente lhes dar ânimo e coragem. Pessoalmente, acho que essa disponibilidade é uma dádiva que pode ser penalizadora para o próprio. Eu explico: as pessoas têm tendência a fixar-se no termo e no significado de “doença”, e se for grave ligam-na de imediato a um fim iminente, com toda a carga emocional e dramática que isso envolve. A pessoa passa a ser vista como “doente”, e o olhar que recebe dos outros traz já essa classificação implícita.


Não sei se por natureza ou se por optimismo incorrigível, esqueço-me completamente da “doença” quando alguém me confidencia essa experiência, e concentro-me na pessoa percebida como uma totalidade, os seus gestos, o seu riso, o seu olhar, a sua perspectiva. Sei que essa experiência foi real, que foi uma experiência dolorosa, que o medo de voltar a adoecer está presente, mas prefiro confiar simplesmente na vida, e concentrar-me no caminho à sua frente e em todas as experiências que a vida ainda lhe pode reservar. Sei que essa confiança na vida reforça as suas defesas, tenho mesmo a certeza disso. E sei que a atitude que terá perante a vida a levará a cuidar mais da saude e do equilíbrio possível entre as várias áreas da sua vida.


A pessoa não é a sua doença. A doença é uma experiência que tem inúmeras causas. É melhor lidar com essa experiência apenas com as pessoas que a podem ajudar, que confiam na vida. O olhar da maior parte das pessoas não ajuda, falta-lhes a sensibilidade para perceber que a curiosidade mórbida é uma invasão do espaço do outro, que o medo do futuro é uma emoção inútil, e que, não me canso de o repetir, uma pessoa não é a sua doença. Por isto tudo respeito a coragem e a generosidade de quem partilha a sua experiência para ajudar outras pessoas que passam pela mesma experiência.

 


 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:56

A constância

Domingo, 29.05.11

 

Como distinguir o entusiasmo juvenil

da acção consequente?

Pela constância que colocamos nos nossos passos

 

Dia a dia, de forma simples e cuidadosa

vamos mantendo essa chama viva

por nós e pelos que nos rodeiam

É o gesto amoroso pela vida

confiar, mesmo sem razão lógica

a diferença essencial de dois planos

o distraído inconsequente

e o atento consciente

 

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:15

A alma acesa

Quarta-feira, 12.05.10

 

 

Quando a alma se acende

tudo se ilumina

caminhos perdidos

reaparecem no horizonte

mãos tateantes encontram-se

abraços e sorrisos

estamos aqui

 

Veio de longe

ao encontro do seu povo

e todos o reconheceram

símbolo de Pedro

construção sagrada

 

Veio ao nosso encontro

lembrar-nos quem somos

e os laços que nos unem

indestrutíveis porque no plano da alma

a alma acesa do seu povo

 

Leva consigo a certeza viva

da confirmação da fé

do amor fraterno

do destino universal

de um povo carinhoso

 

Ficamos mais fortes

na alegria do encontro

o olhar mais límpido e seguro

as mãos menos tateantes

os caminhos a aclarar-se

 

Obrigada, Santo Padre!

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:32

Coisas simples: os sinais de alarme

Terça-feira, 16.02.10

 

Lembrei-me deste paralelismo entre o percurso de um colectivo e o crescimento, a maturidade individual. 

O percurso de um colectivo é sempre atribulado e implica cortes e rupturas, solavancos e sacudidelas. Há fases de acalmia e de equilíbrio, não necessariamente o equilíbrio desejável, mas o conveniente a quem domina, e nessas fases o poder tenta consolidar a sua influência.

Quando a situação ultrapassa os limites do suportável, há um sinal de alarme. Pode ser apenas um sinalzinho luminoso intermitente, silencioso, mas fica ali a piscar, a piscar.

Como previsto, e o poder é quase sempre previsível, quem domina a situação tenta minimizar aquele sinal de alarme, aquela perturbação é para apagar, quem são os histéricos?, os ignorantes?, os saudosistas?, os ambiciosos?  (1)

E o alarme ali, teimosamente, a piscar.

O poder reage, em todos os locais onde o alarme piscar, lá estarão os apagadores de alarmes a tentar minimizar a luzinha intermitente.

Mas agora até o filósofo, que falara no tempo dos antecessores, nessa outra situação, vem de novo alimentar a luzinha intermitente: já não é só medo de existir, é o não dito e, pior!, o não inscrito. Como argumentar se é tão evidente essa negação constante, essa não-permanência, essa não-continuidade? Esse eterno presente sem passado nem futuro, essa promessa vazia, não-concretizável? E em que o outro não tem razão, a sua opinião não é válida, não existe?

Aqui o poder hesita e resolve lançar a confusão. É nesta fase que nos encontramos, vozes desencontradas, agitadas, agressivas, entrincheiradas. É o clima ideal, adequado, à não reflexão.

Só que o sinal de alarme já é mais luminoso e não se deixa apagar. Não se deixa envolver em agitações de circunstância. Observa e pensa, com a distância emocional necessária para observar correctamente e pensar de forma eficaz.  (2) 

 

 

(1)  Já respondi ali atrás a todas estas críticas ao primeiro sinal de vida do cidadão comum, a petição e a manifestação "Todos pela Liberdade", mas ainda faltava esta da ambição. Aceito. Querem lá ambição maior do que esta, da liberdade? Querem lá ambição maior do que uma democracia de qualidade?, de uma vida colectiva baseada no respeito mútuo e na confiança?, do direito de todos o cidadãos a uma vida livre de condicionalismos insuportáveis, de fracturas sociais, de alterações súbitas de valores e formas de vida, da domesticação sistemática?, do direito a uma vida digna, em que cada cidadão existe para além da sua condição de eleitor e contribuinte, escravo portanto, o que sustenta a máquina e os seus caprichos e aventureirismos? 

(2) É claro que numa comunidade humana, baseada na natureza humana, nem todos os sinais de alarme são motivados pelas melhores razões, as da defesa da qualidade de vida de um colectivo, de uma comunidade, de um país. Mas quando uma comunidade deixar de ter sinais de alarme, a avisar excessos e desvarios, estará perdida.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:16

A nossa verdadeira riqueza

Quarta-feira, 13.01.10

 

Continuando esta análise do país e de como recuperar a nossa identidade e dignidade:

Como referi, a primeira qualidade de ser rico é a autonomia: poder organizar as nossas vidas.

Quando me refiro aqui a autonomia refiro-me essencialmente à autonomia dos cidadãos, dentro do possível, e à autonomia da economia, a que cria riqueza. Que neste momento revela poucos sinais de vida.

Sem dúvida que negociámos parte da nossa autonomia, a começar pela económica, com a integração europeia. Mas há inegáveis vantagens nessa interdependência. Não apenas económicas (se houver inteligência para isso), mas sobretudo políticas.

 

A nossa verdadeira riqueza está na capacidade de criar e expandir. E noutra capacidade, tantas vezes esquecida: capacidade de empatia, de relacionamentos saudáveis e estáveis, de relações de confiança.

Aplicada ao país, a confiança adquire uma outra dimensão: sem relações de confiança, de expectativas concretizáveis, de lealdade, de equilíbrio,  a economia estará seriamente comprometida. A base da economia saudável está na coesão social, na confiança.

Confiança nas instituições, nas empresas, nos elementos-chave de uma sociedade. Sem essa condição básica não há economia que sobreviva.

 

E sobretudo a base, o essencial: a energia vital. O brilhozinho nos olhos, o entusiasmo, I'm alive. Ontem, no Boston Legal, a personagem Alan Shore ficou arrumado quando uma ex-namorada por ele abandonada, lhe diz, cheia de ressentimento: Os homens quando envelhecem perdem a paixão... Os teus olhos estão mortiços... Alan Shore só recupera desta frase mortífera quando, em conversa com o amigo, Denny Crane, que também com ele partilha o seu maior pavor (vejam a série se quiserem saber) o ouve dizer com amizade: Ela ainda não te viu em tribunal, aí tu transformas-te! Não, tu não perdeste a paixão! E, de facto, o nosso Alan Shore transfigura-se, é com verdadeira paixão que defende a queixosa e será com tristeza que se despede no final da ex-namorada e é tristeza que verá nos seus olhos também, e já não ressentimento.

 

Isto para dizer o quê? Que além da confiança mútua, nos grupos, nas comunidades, nas instituições, a nossa maior riqueza é a paixão, essa energia vital que nos move, que nos anima. É, por isso, muito preocupante, ler em jornais ou em blogues sobre a geração perdida. Perdida? Não podemos aceitar tal hipótese, que o nosso maior trunfo, os recursos humanos, as pessoas, não consigam vislumbrar uma vida à medida dos seus investimentos pessoais ou dos seus sonhos. Que tenham de encarar um dia a dia medíocre e sem perspectivas. Se as gerações actualmente no poder estão a empatar-lhes a vida, isso terá de ser encarado sem rodeios: o que se passou aqui e o que se passa para isto acontecer?

A minha perspectiva é um pouco polémica, mas terei a oportunidade de verificar se, na prática, se aproxima ou não da nossa realidade. Procurarei, em próximos posts, analisar a situação das gerações dos 26-35 e dos 36-45 anos. Conto com o feedback de todos os que se interessam pelo assunto, claro!, a começar pelos próprios.

 

 

Leitura relacionada: De Sobre o Tempo que Passa, um post sobre o desafio de "viver em comum" para além da aventura individual: Sete pedacinhos de mais além em domingo de chuva.

 

E ainda: Como lixar o Cidadão Comum, e o país, legalmente, isto é, com as leis que temos - 3 e Os cidadãos enquanto contribuintes, consumidores e eleitores. E a tag novas gerações igualmente no Vozes Dissonantes.

 

E ainda: Do Portugal Contemporâneo, Perdendo o sonho e Empregos mal remunerados; e do Minoria Ruidosa, Da geração rasca à geração perdida.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:47








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